O jornalista analisou os jogos de preparação de Portugal e defendeu que o papel do capitão deve ser repensado
Portugal venceu a Nigéria por 2-1 no último jogo de preparação antes da partida para os Estados Unidos, onde vai disputar o Mundial 2026. A partida realizou-se no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, e contou com golos de Pedro Neto e Francisco Conceição.

Depois do encontro, a análise na RTP Notícias centrou-se no que correu menos bem à Seleção Nacional nos dois jogos de preparação. Carlos Daniel foi direto na leitura que fez do momento da equipa e deixou um aviso sobre o ataque português.
“Neste momento, tentando ser o mais cru possível, mas ao mesmo tempo respeitando a qualidade de todos os jogadores, mesmo dos que estiveram menos bem, a começar em Ronaldo, nós, se não mexermos no ataque, não vamos ter grandes possibilidades de ter sucesso no Mundial. E é preciso dizer isto agora, o aviso à navegação”, afirmou.
O jornalista explicou ainda que já antes do jogo tinha chamado a atenção para a importância de João Félix ter minutos e peso na equipa durante a competição. Na sua análise, a Seleção precisa de encontrar soluções ofensivas que não passem obrigatoriamente por manter Cristiano Ronaldo como titular indiscutível.
“Antes do jogo, eu fiz questão de dizer quer em relação a João Félix, que me parecia que uma boa carreira no Mundial precisa de um bom João Félix e de um João Félix a jogar muito tempo, que me parecia que Ronaldo hoje é um problema para a Seleção e o jogo de hoje comprovou”, acrescentou.
Carlos Daniel considerou que Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, ainda pode ser útil para Portugal, mas num papel diferente daquele que tem assumido ao longo dos últimos anos. Para o jornalista, o capitão poderia ganhar importância se entrasse mais tarde em alguns jogos, perante adversários mais desgastados.
“Ronaldo pode ser útil em alguns jogos, seguramente eu partilho desta ideia, que não é só minha, já ouvi muita gente dizer a mesma coisa, que se Ronaldo hoje se mentalizasse que podia ser um suplente a surgir numa fase mais tardia de alguns jogos, com mais espaço, um adversário mais desgastado, podia ainda, com o lado simbólico que ele aporta ao jogo, ser ainda um jogador muito importante”, defendeu.
Ainda assim, Carlos Daniel deixou claro que vê problemas na ideia de Cristiano Ronaldo continuar a ser tratado como titular inamovível. O jornalista sublinhou que o estatuto do jogador e a gratidão dos portugueses não devem impedir uma análise mais fria ao rendimento da equipa.

“Como titular da seleção, e sobretudo este titular inamovível, parece que há quase medo de o tirar antes dos outros ou ao mesmo tempo dos outros, está a criar um problema ao próprio Cristiano Ronaldo”, afirmou.
O comentador reconheceu o peso histórico do capitão e a admiração que continua a existir em torno do jogador, mas insistiu que Portugal não pode ficar preso ao passado. “As pessoas admiram-no imenso, tributaram-lhe aquele aplauso à saída porque há uma gratidão do país indiscutível e justíssima, mas isso não nos pode impedir de, do ponto de vista técnico-tático, olhar para a Seleção e dizer: Ronaldo pode ser útil em alguns momentos, mas a Seleção não pode viver de Cristiano Ronaldo, já não pode”, concluiu.
Portugal estreia-se no Mundial no dia 17 de junho, frente ao Congo, às 18h00. A Seleção Nacional está inserida no Grupo K, onde também vai defrontar o Usbequistão, a 23 de junho, às 18h00, e a Colômbia, a 28 de junho, às 00h30.



