Dez anos. A primeira vez que piso na família Vance. A madrasta sorri, mas os olhos são gelo. “Fique quieta.

Não envergonhe a família. ”
A corte real. O primeiro-ministro me chama de vidente demoníaca. “Como ousa discutir assuntos de estado?
” Eu rio por dentro. Levanto a mão, mostro o selo imperial do falecido imperador. “Autoridade para executar antes de relatar. Preciso da aprovação de alguém?
”
Silêncio. Os oficiais se ajoelham. Mas em casa, sou apenas a filha rejeitada. A que matou o irmão, dizem.
A que fez a madrasta perder o bebê. Mentiras. Mas papai acredita. Chloe, minha meia-irmã, me olha com veneno.
“Você não passa de uma azarada que matou a própria mãe. ”
Eu não respondo. O pai me chama. “Sua mãe – Beatriz – sonhou que você estava sofrendo.
Arrumamos um casamento para você. Com o filho mais velho dos Sterling. Juliano. Ele está morrendo.
Você vai casar com ele para afastar o mal. ”
Eu olho a aura dele. Escura, cinzenta. Morte em três dias.
“E se eu recusar? ”
“Você vai aceitar, goste ou não. ”
O velho Arthur Sterling chega. Oferece metade da fortuna se eu casar com Juliano.
Chloe e a mãe quase engasgam. “Não, ela não merece! ” Chloe grita. “É uma selvagem do campo.
”
Eu olho para Juliano. O rosto pálido, a respiração curta. Vejo a maldição. Roubo de fortuna, drenagem de vida.
Não é doença. “Eu salvo ele”, digo. Arthur Sterling me chama de nora. Chloe fica pálida.
No quarto de Juliano, sozinha. Coloco a mão sobre ele. Os demônios internos – três cavalos pisoteando a fortuna. Eu os dissolvo com um sopro.
Ele mexe os olhos. Mas de repente, ele se transforma. Murcha. Vira múmia.
A porta se abre. Chloe e a mãe entram. “O que você fez? ” gritam.
“Assassina! ”
O velho Sterling chora. O pai me ameaça. “Vai pagar com a vida.
”
Eu não me abalo. “Não foi isso que aconteceu. ”
Chloe ri. “Você está acabada, Serafina.
”
Então eu levanto a mão. A maldição se desfaz. Juliano volta a respirar. As bochechas rosadas.
Acorda. Chloe cai no chão. O corpo dela começa a absorver a maldição de volta. O ricochete.
“Confessa”, digo. “Senão você morre em três minutos. ”
Ela hesita. O irmão adotivo, Dexter, entra.
“Ela é inocente! Isso é ilusão! ” Ele tenta quebrar com um talismã. Falha.
Chloe começa a implorar. “Fui eu! Ele me obrigou! ” Aponta para Dexter.
O velho Sterling chama a guarda. Dexter tenta fugir, mas a Ordem Mística chega. O grão-mestre. Chloe diz que é a fundadora reencarnada.
Mostra a marca de lótus negra no pulso. A espada carmesim – o artefato da fundadora – não responde a ela. Ajoelham-se diante de mim. “Fundadora”, diz o grão-mestre.
“A única com a marca verdadeira. ”
Chloe desaba. A mãe dela, Beatriz, grita. O pai me ameaça.
“Você não pode me matar, sou seu pai! ”
“Não vou te matar. Mas o destino já selou. Em três dias, a família Vance acaba.
”
A empresa deles faliu. A polícia leva Dexter por assassinato. Beatriz e o pai tentam fugir, mas o avião não decola. A maldição do destino.
No final, ajoelhada no jardim, minha mãe morta me agradece. O pingente de jade nas minhas mãos. Dou tudo para caridade. Só fico com o pingente.
Juliano me segue. “Mestra, posso ir com você? ”
Olho para ele. Sorrio.
“Então vem. ”


