—Onde é este lugar? Quem é ele? Quem é você? Por que me armou essa?

Ela acordou num quarto de hotel, a cabeça a latejar. Lixian estava ao lado dela, os olhos negros de fúria. — Foi você que me dopou ontem? Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu.
Era muda. Sempre fora. — Foi Suquia — respondeu uma voz atrás dela. O irmão dela estava ali, com um sorriso falso.
— Eu não quis te enganar. Ela olhou para ele, o pânico a crescer. Lixian avançou. — Segundo os boatos, o senhor L vai casar com a herdeira Chia.
Mas foi flagrado com outra no hotel. O que está a acontecer? Ela é sua amante secreta? Jornalistas apareceram do nada.
Câmaras, flash. Lixian empurrou-os. — Sumam daqui. Depois virou-se para ela.
— Este era o seu objetivo. Doper-me e armar uma cilada. Fazer com que eu dormisse com você. Fez um acordo com os jornalistas para ser a senhora L?
Ela negou com a cabeça, os gestos desesperados. — Não, eu não fiz isso. Também fui enganada. Ele riu, frio.
— Acham que podem enganar-me? Eu, Lixian, prefiro casar com um mendigo do que com você. Ela baixou a cabeça. Não havia nada que pudesse dizer.
Dias depois, a família Su reuniu-se. O irmão dela, Suquia, chegou com um sorriso. — O bebé. Não posso ter um filho do Lixian.
Quem te mandou comprar pílulas? — Ah, eu digo-te. Tens que engravidar para mim do filho de Lixian. A empresa vai à falência.
Pai e mãe suicidam-se. Se essa barriga não colaborar, estamos acabados. Ela recuou. — Não podes fazer isso comigo.
Sou tua irmã. — Tens que me ouvir. Ela fugiu. Mas não havia para onde ir.
O casamento foi marcado. A avó de Lixian estava doente e queria ver o bisneto. Lixian aceitou, mas tratava-a como uma estranha. — Eu, Lian, casei com uma muda.
Tu e o teu irmão fizeram um ótimo movimento. Ela quis explicar, mas as palavras não saíam. — Não estou a manipular nada. Também fui forçada.
O nosso casamento é temporário. Daqui a dez meses saio sem levar nada. Ele riu. — Achas que vou acreditar em ti?
Alguém do teu tipo só quer chamar a atenção. — Também vou abortar. Não vou deixar nascer numa família sem amor. Ele ficou parado.
— É melhor cumprires a tua palavra. Ela foi ao hospital. Mas quando ouviu o coração do bebé, parou. O embrião completou quatro semanas.
O som era saudável. Ela não conseguia. O irmão dela apareceu novamente, endividado. Suquia tinha perdido 5 milhões no jogo.
Ela foi salva por Lixian, que apareceu no bar onde ela trabalhava em segredo. — Tu és a bartender T — ele disse, os olhos a brilharem. Ela não negou. — Por que me escondeste isto?
— Não confiavas em mim. Ele olhou para ela de forma diferente. A sogra, Bonchu, quis livrar-se dela. Armou um falso aborto, colocou remédios no quarto dela.
Lixian descobriu a verdade e defendeu-a. — Ela é minha esposa. Bonchu enfureceu-se. — Uma muda.
Não é digna da família Li. — Só terei uma esposa na vida. Será Sutang. Ela ouviu aquilo e sentiu o coração apertar.
O tempo passou. A barriga cresceu. Suquia tentou novamente, drogou-a numa festa de aniversário. Lixian apareceu, salvou-a.
— Vou acabar com ele. — Não. Ele é meu irmão, mas não vale a pena. Lixian apertou a mão dela.
— A partir de hoje, não tens irmão. Ela soube que a voz podia ser curada após o parto. O médico confirmou. Lixian olhou para ela.
— Finalmente vais falar. — Talvez. — Vou esperar. Bonchu tentou destituí-lo da empresa.
Lixian tinha provas contra ela. Tudo se resolveu. No final, ele estava ao lado dela, a mão na barriga. — Bobo.
O que foi? — O médico disse que nos primeiros e últimos meses não podemos. — Estás a provocar-me de propósito? — Não estou.
Tu é que não leste o manual da gestante. Ele sorriu. — Mesmo assim, eu te amo. Ela encostou a cabeça no ombro dele.
Pela primeira vez, sentiu que pertencia ali.


