Ei, ei, ei, você é novata. Não saia tocando em nada. Se estragar, não vai ter como pagar. Olha só, me aparece uma caipira que não consegue nem comprar sapatos novos.

Sabe ao menos ler o nome da marca? Esta aqui. Leia para mim agora. Conseguir ler ou não, não é o que importa.
O importante é que eu consigo vender. Se você conseguir fechar uma venda, eu mudo o meu nome. Bruna engoliu o insulto. Já estava habituada.
Atenção todos, o Senhor Martins está vindo para sua primeira inspeção na loja. Ajustem os uniformes. Finalmente vou conhecer o Senhor Martins. Quem sabe consigo até o contato dele.
Quando o homem entrou, ela não reconheceu o dono do império. Ele vestia roupas simples, quase modestas. Seja bem-vindo, Senhor Martins. Bruna aproximou-se.
Olá, senhor. Sou a vendedora Bruna. Posso ajudá-lo a escolher alguma coisa? Pelo seu bom gosto, ajude-me a escolher uma gravata e uma camisa.
Ela escolheu uma camisa cinza clássica, uma gravata azul escura. O corte ficava bem nele. A colega Camila murmurou: Está louca? Olhe para a cara desse sujeito.
Ele tem cara de quem pode pagar por um terno? Bruna ignorou. Não existe diferença entre os clientes. Se entraram na loja, são clientes.
Ele pediu para experimentar. Ela buscou um tamanho maior, atenta ao porte. Pare de fingir, lixo pobre. Mesmo experimentando, não pode pagar.
Ele bebeu a água que Bruna lhe trouxe. Depois, estendeu-lhe o copo vazio. Me ajude. Desde que não envolva nada que possa machucar a criança, te darei tudo o que quiser.
Bruna hesitou. Ele mostrou um relógio. Este relógio, se é verdadeiro ou falso, você deve reconhecer, certo? É edição limitada mundial, usado pelo presidente do grupo Martim.
Quem é você? Eu sou o Paulo Martins. Por favor, ajude-me. Tem gente lá fora.
Ela conduziu-o ao provador. Camila seguiu-os, armou um escândalo. Ora, ora, você está a fazer uma coisa dessas no provador com um faxineiro. Não pode ser.
Bruna foi acusada de dormir com um lixeiro. O grupo Martins fechou a loja em 60 segundos. Ficaram a sós. Paulo ofereceu-lhe dez milhões em dinheiro e um medicamento anticoncepcional.
Tome o remédio. Todo esse dinheiro será seu. Ela recusou. Se eu aceitasse, qual seria a diferença entre eu e uma qualquer?
Ele estranhou. Tem certeza que não quer nada? Quero a comissão da venda da camisa de algodão. Apenas a minha recompensa.
Ele concordou. Ela prometeu guardar segredo. Mas, de agora em diante, peço que tenha mais respeito. Passaram-se semanas.
Bruna descobriu que estava grávida. Mesmo a tomar o anticoncepcional. O médico confirmou: a probabilidade era pequena, mas aconteceu. Ela criou o filho sozinha.
Felipe. Com uma marca de nascença no rosto. A avó materna não ajudou. Roubou o dinheiro da escola que Bruna economizava.
Mãe, aquele era o dinheiro da escola que economizei para o Felipe. Não conseguimos nem pagar o aluguel. Não me importa. Se não transferiu os duzentos mil este mês, vou vender o teu filho para conseguir dinheiro.
Bruna trabalhava na loja, sustentava a família, pagava as dívidas de jogo do irmão. A mãe chegou a expulsá-la de casa no Inverno, quando Felipe era bebé. Ela sobreviveu. Um dia, a loja recebeu a visita de uma senhora rica, vestida com simplicidade, que pediu água quente para aquecer a comida fria.
Bruna atendeu. Camila gritou: Que cheiro é esse? Quem explodiu o banheiro? Mande essa mendiga suja sair daqui.
A senhora derrubou café no sofá. Bruna limpou sem cobrar. Depois, ofereceu uma nova porção de comida. Estar longe deve dar-lhe saudades de casa.
A senhora emocionou-se. Mostrou-lhe as bolsas. Comprou vinte milhões. Transação concluída.
Camila ficou pálida. Que lixo saber que cartão tinha aquele dinheiro? A senhora disse: Esta menina é realmente muito boa. Tem que ser minha nora.
Era a mãe de Paulo Martins. Dias depois, Bruna levou Felipe ao trabalho. Camila e Ana Pereira – a suposta noiva de Paulo – atacaram-na. Que porquinho cheio de manchas.
Horroroso. Parece que foi queimado no fogo. Felipe ouviu tudo. Bruna defendeu-o: Para julgar se alguém é bonito ou feio, não se pode olhar apenas para a aparência.
Ana Pereira insistiu: Ajoelhe-se e peça desculpas à minha cadela. Tem o mesmo nome que o teu, Bruna. Bruna ajoelhou-se para não ser despedida. Paulo chegou.
Viu a cena. Interrompeu. Essa criança – olhou para Felipe – tem a mesma marca de nascença que eu tinha. É o meu filho.
Ana negou. Paulo ordenou o teste de ADN. Confirmou: era sangue Martins. A mãe de Paulo, Mariana, abraçou o neto.
A avó materna apareceu a exigir dinheiro. Paulo ameaçou denunciar o irmão viciado. A mãe assinou um corte de laços. Mariana deu a Bruna uma mansão, colares, a relíquia de família.
Agora és minha filha. Bruna aceitou. Paulo pediu-a em casamento. Meses depois, Bruna engravidou outra vez.
O médico disse: Senhor Martins, a sua esposa está mesmo grávida. Paulo sorriu. Felipe saltou: Mamãe, vou ter um irmãozinho ou irmãzinha? Vais ser um irmão mais velho.
A família Martins estava completa.


