Sophia ajustou o microfone. O salão estava silencioso. — Este é o novo sistema de criptografia. Secure systems.

Ela olhou para o notebook. O código estava pronto. Mas a conexão com o servidor em Tóquio hesitou. Um zumbido baixo percorreu a plateia.
Sophia respirou fundo. O professor Marco, na primeira fila, não desviou o olhar. Rodrigo, diretor de vendas, tamborilava os dedos na mesa. — Vamos repetir a verificação — disse ela.
O protocolo exigia uma segunda autenticação. As câmeras gravaram cada movimento. Ela digitou a sequência. O sistema respondeu.
Verde. — Verificado. Marco levantou a mão. — E a matemática por trás?
A demonstração formal? Sophia abriu o arquivo. As fórmulas apareceram no telão. “Lego de criptografia”, ela chamava.
Blocos modulares que se encaixavam perfeitamente. — O laboratório financeiro em Querétaro já validou — respondeu ela. — E o professor Matteo em Osaka confirmou os testes. Rodrigo sorriu.
Era o que ele precisava ouvir. — Então está pronto para o mercado? Sophia hesitou. Olhou para Marco.
Ele balançou a cabeça, quase imperceptível. — Ainda não. Falta a verificação simultânea. Ela explicou: o sistema precisava de uma prova de consenso entre três nós independentes.
Tóquio, Cidade do México e Lisboa. — Se um falhar, todo o esquema cai. O silêncio voltou. Alguém tossiu.
Sophia clicou no botão. Os três servidores iniciaram o processo. As luzes piscaram. O primeiro nó respondeu.
O segundo. O terceiro demorou. — Aguarde — disse ela. A tela mostrou um cursor piscando.
O suor escorreu na sua testa. Rodrigo parou de tamborilar. Então, o verde acendeu. — Nós três confirmados.
Marco inclinou-se para a frente. — A integridade do protocolo está preservada. Sophia fechou o notebook. — Secure systems.
O público aplaudiu. Mas ela não sorriu. Sabia que a verdadeira prova viria depois. Quando o sistema encontrasse o mundo real.
Rodrigo já falava ao telefone, animado. Marco recolheu os papéis. Sophia olhou para a tela vazia. — Sophia?
— chamou o professor. Ela virou. — Amanhã apresentamos na reunião do conselho — disse ele. — O sistema precisa de um nome.
— Secure systems — repetiu ela. — Não, o nome do protocolo. O teu. Sophia pensou.
Olhou para os nós que acabavam de se conectar. — Forçoso — respondeu. Marco franziu a testa. — Forçoso?
Porquê? — Porque força a verdade. Ele anotou. Depois, saiu.
Sophia ficou sozinha no Grand Salon. O som do ar condicionado. As cadeiras vazias. Ela guardou o notebook e saiu para a noite de Tóquio.
O sistema estava pronto. Mas ela ainda não.


