Eu estava na festa de fim de ano da empresa do meu marido, segurando uma taça de champanhe, quando uma mulher grávida entrou e gritou: “Roberto, seu canalha! Você me engravidou e sumiu!” O salão…

Eu estava na festa de fim de ano da empresa do meu marido, segurando uma taça de champanhe, quando uma mulher grávida entrou e gritou: “Roberto, seu canalha! Você me engravidou e sumiu!” O salão...

O salão da festa da empresa do meu marido estava lotado. Eu estava sentada numa das mesas, tranquila, só observando ele subir no palco. Ele pegou o microfone, ajeitou a postura, pronto para brilhar. Foi exatamente nessa hora que uma mulher grávida de uns seis meses parou bem na frente do palco e gritou a plenos pulmões: “Roberto, seu canalha!

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Você me engravidou, prometeu se casar comigo e agora não atende mais as minhas ligações? ”

O Roberto soltou uma risadinha no microfone, achando ser uma pegadinha do pessoal do trabalho. Mas não era, pelo menos não dos colegas. Calma.

Deixa eu voltar um pouco e contar direito como chegamos até aqui. Meu nome é Alice, tenho 34 anos e sou empresária. Faço sabonetes artesanais, réplicas perfeitas de sobremesas: cupcakes, tortinhas de limão, macarons coloridos. Tão realistas que dava água na boca.

Vendia tudo pelo Instagram e, modéstia à parte, arrasava. Conheci o Roberto num evento de exposição. Ele chegou na minha mesa, olhou pros sabonetes, me olhou de cima a baixo e soltou a cantada de pedreiro mais elaborada da história: “Olha, eu não sei se eu lavo a mão com isso ou se peço um garfo. ” Eu ri.

Achei fofo. Ele comprou três fatias, me chamou pra sair pelo Instagram e, depois de dois anos, estávamos casados. Fomos morar no meu apartamento, três quartos, quitado, herança da minha mãe. Um dos quartos virou o meu atelier.

Enquanto eu passava o dia entre formas de silicone, essências doces e plástico bolha, o Roberto vivia a rotina corporativa pesada. Saía às 7 da manhã, voltava às 7 da noite. Aí começaram as pequenas faíscas. Ele chegava exausto e a janta não estava pronta.

“Poxa, Alice, você fica o dia inteiro em casa. Bem que podia ter feito o jantar, né? ” Eu relevava. Tentava me organizar melhor.

O que corroía ele de verdade era o meu trabalho. Fazer sabonete, de pijama e dentro de casa, rendia muito mais do que as 12 horas diárias que ele passava fora. A minha loja passou de 50 mil seguidores. Eu pagava quase todas as contas da casa.

Enchia o mercado com o que ele gostava. Bancava as viagens. Tudo para ele não se sentir sobrecarregado. Até que ele conseguiu um emprego novo.

Executivo de contas numa agência metida à besta. O ambiente engoliu o meu marido. Todo mundo andava de camisa social, calça super justa mostrando a canela, mocassim sem meia, falando inglês no meio das frases. Em menos de três meses, o Roberto mudou da água pro vinho.

Ganhando o dobro, decidiu que precisava viver como os coleguinhas. Parcelou roupas em 12 vezes. Comprou smartwatch. Gastava o salário inteiro com aparência, e as contas da casa continuavam comigo.

Eu segurava a bucha sozinha para ele desfilar de novo-rico na firma. E o que essa gente mais gostava de fazer? Festa, evento corporativo, happy hour. E eu, como boa esposa apoiadora, sempre acompanhava.

Foi num desses eventos que conheci a famosa Laila, a diretora de contas, chefe do Roberto. Uma mulher solteira, perto dos 40, que exalava uma arrogância que não cabia na bolsa de Prada Made in China que fazia questão de deixar em cima da mesa. E o alvo favorito dela nas festas logo de cara fui eu. “Nossa, Alice, deve ser tão relaxante ficar em casa o dia inteiro no seu mundinho, fazendo os seus sabonetinhos, né?

Quem dera eu tivesse esse seu tempo livre para fazer artesanato. Coitado do Roberto, que tem que se matar de trabalhar para financiar esse hobby. ”

Meu sangue subiu. Eu já estava abrindo a boca para soltar um “querida, o hobby aqui é quem paga todas as contas”, quando o Roberto se meteu no meio: “A Alice é uma artista nata.

Não me importo nadinha em fazer minha esposa feliz. ”

Eu congelei. Ele não tinha dito que eu era empresária, que pagava as contas. Ele deixou a Laila acreditar que eu era uma dona de casa sustentada.

Ali caiu a ficha: era ele que espalhava no escritório que o meu trabalho era hobby. Engoli o sapo. Não ia fazer barraco no evento da empresa. Os meses passaram.

Junho chegou com o Dia dos Namorados e o Roberto estava num momento maravilhoso. Acordava de bom humor, assobiando, empolgado com o trabalho. Tinha até sido nomeado membro do conselho de ética da empresa. Eu estava feliz.

Finalmente as coisas tinham entrado nos eixos. No dia 12, estava no quarto separando os palitós dele para a lavanderia. Hábito de sempre, esvaziar os bolsos antes de mandar pro ralo. Enfiei a mão no bolso interno do paletó cinza e meus dedos roçaram num cupom fiscal.

Abri distraída, achando que era recibo de estacionamento. Quando bati o olho no cabeçalho, meu coração deu um solavanco: Via Vara Joias. R$ 4. 200, parcelado em 10 vezes.

Par de brincos em ouro branco com pedras de safira. Eu caí sentada na cama. Entrei no site da loja. O conjunto era deslumbrante.

Meu Deus, ele enlouqueceu. Endividou-se até o pescoço para me dar esse presente. Deve ser por causa da viagem: ele ia viajar a trabalho na convenção da empresa, num resort, bem no fim de semana do Dia dos Namorados. Ele comprou a joia para compensar a ausência.

Decidi retribuir à altura. Gastei quase R$ 5. 000 numa camisa de fio egípcio e três gravatas de seda italiana. Encomendei um jantar num restaurante italiano que ele amava, comprei vinho, velas, um vestido novo azul para combinar com as minhas futuras safiras.

O dia chegou. Passei a tarde arrumando a varanda, me aprontei feito uma rainha. Deu 7:30, a chave girou na fechadura. O Roberto entrou com um buquê murcho de mercado e uma caixinha quadrada branca com laço vermelho.

Eu já estava rodando a 1000 por hora: ele comprou uma caixa genérica para disfarçar, mas ali dentro estavam os brincos de safira. Peguei a sacola da Brooksfield, entreguei o presente dele. Ele abriu, ficou emocionado, e soltou com cara de culpa: “Poxa, Alice, que presente maravilhoso. Eu estou até com vergonha.

Não tive tempo de elaborar uma surpresa tão grandiosa quanto a sua. ”

Eu ri por dentro. Drama. Peguei a caixinha, puxei o laço, levantei a tampa.

Lá dentro: dois bombons. Sonho de Valsa. Só. “Amor, me desculpa.

Essa semana foi uma correria. Prometo que te compenso no seu aniversário. ”

Eu, iludida profissional, criei a justificativa na hora: é um teste. Depois do jantar, ele vai me dar o presente principal.

Abracei, sorri, disse que o que importava era a gente estar junto. Fomos jantar. Ele se esbaldou com um pote gigante de gorgonzola extra que eu tinha pedido de propósito, porque ele era alucinado por aquele queijo mofado. O celular dele não parava de apitar.

“É o grupo do escritório. Falam da convenção. Hoje eu sou só seu. ” Assim que o vinho acabou, ele bocejou.

Precisava descansar, sair cedo para a viagem. Me beijou na cabeça, agradeceu a noite, e roncou em minutos. Eu fiquei sozinha com os dois bombons. Se o presente não era para mim, era para quem?

Passei a noite em claro tentando criar desculpas: era para um amigo sem limite no cartão, para a mãe dele. Qualquer mentira servia. Já era quase 1 da manhã quando o ronco dele mudou. A barriga começou a fazer uma orquestra de sons bizarros.

O gorgonzola estava cobrando o preço. De repente, o Roberto acordou em pânico e saiu em disparada pro banheiro. Pelo barulho, parecia que tinha uma britadeira ligada lá dentro. Intoxicação alimentar dos infernos.

Fui até a porta: “Amor, quer um remédio? ” “Ai, Alice, tô muito mal. Acho que o molho me fez mal. ” “Poxa, que azar.

Tem que soltar tudo para melhorar. ” Voltei para a cama. Foi quando o celular dele vibrou. Mensagem às 1 da manhã?

O visor acendeu: Laila. “Amanhã não esquece de levar a cam…” O resto cortado. Meu estômago deu um nó. Eu já tinha decorado o padrão de desbloqueio dele.

Entrei no WhatsApp, abri a conversa com a Laila. “Amanhã não esquece de levar a camisinha de morango que eu gosto. ” Ainda rolei pra cima. A verdade veio como um tapa: a tal convenção era um final de semana romântico num resort de luxo, tudo pago pela Laila.

E uma foto: a Laila exibindo os brincos de safira nos ouvidos, agradecendo pelo melhor presente de Dia dos Namorados. Naquele momento, a Alice compreensiva morreu, engasgada com um bombom. A Alice estrategista assumiu o comando. Eu não ia chorar.

Ia destruir a reputação dele onde ele mais amava: o trabalho. Na semana seguinte tinha a premiação de resultados da empresa. O Roberto ia ser o mestre de cerimônias. O palco perfeito.

Ouvi a descarga, coloquei o celular no lugar, finjo sono. O Roberto se arrastou pra cama, gemendo. Mal deitou, o estômago reclamou de novo e ele voltou em disparada pro trono. Lá dentro, gravou um áudio: “Laila, tive uma intoxicação alimentar.

Não vou conseguir viajar. ”

No dia seguinte, acordei radiante. Ele parecia que tinha sido atropelado. Abraçado com um balde.

Fui até ele, voz doce: “Coitado, meu amor. E sobre o que você falou ontem, de me compensar o presente? Já que está incapacitado, deixa eu resolver isso por você. Me dá o seu cartão de crédito.

Ele não tinha saída. Recusar, assumia que nem ia me dar presente. Ceder, ia chorar no limite. Ele balbuciou: “Tá na carteira.

Mas não exagera. ” Duas horas depois, estava na Via Vara com o cartão dele. A vendedora trouxe o conjunto completo de safira: colar, brincos e anel. R$ 12.

000. Digitei a senha. Sem parcelar. Voltei para casa.

Ele estava branco, olhando o celular: “Alice, chegou notificação de R$ 12. 000 à vista! ” Fiz cara de inocente: “Ai, amor, eu falei pra parcelar. Ela não deve ter escutado.

” Ele entrou em pânico: “Como vou pagar mês que vem? ” Aí lancei a cartada: “Nossa, mas você não tem esse dinheiro? Eu pago todas as contas da casa há meses. Você gasta o seu salário com o quê, Roberto?

Ele calou a boca. Um silêncio delicioso. Mandado embora para a casa da mãe, ele passou o fim de semana no banheiro. Na segunda, fui ao advogado.

Contei tudo. A traição, o caso com a chefe. Perguntei se podia chutá-lo. O advogado explicou: legalmente, não era tão simples.

Como lar conjugal, ele tinha direito de moradia até o divórcio sair. Mas se ele saísse por vontade própria, a posse voltava 100% para mim, e eu podia trocar a fechadura. Voltei para casa com o plano. “Roberto, o pintor daquele quarto me ligou, teve uma desistência.

Ele vem essa semana. Como você tem alergia a pó e tinta, não é melhor você ficar na casa da sua mãe até terminar? ” Ele aceitou na hora. Achou ótimo eu bancar a pintura enquanto ele comia comidinha da mamãe.

Arrumou a mala, apertou o botão do elevador. Eu já estava no telefone com o chaveiro. Assim que a fechadura foi trocada, desci na portaria. “O Roberto não mora mais aqui.

Descadastra a biometria, desabilita a tag do carro. Se ele tentar entrar, barra. ”

Comecei o segundo ato. Precisava de uma atriz.

Encontrei o perfil de uma menina chamada Talita, que fazia maquiagem artística. Contei a ideia. Ela topou na hora, por R$ 800. Mostrei o portfólio: queria alguém que parecesse com a Angelina Jolie.

“Me manda fotos dessa maquiagem. ”

Na quinta, mandei mensagem para o Roberto: “Amor, que horas a gente vai pra festa amanhã? ” Ele respondeu rápido, todo delicado: “Ai, Alice, você não precisa ir se não quiser. Vou ser mestre de cerimônias, vou ficar no palco.

Você vai ficar sozinha chateada. Fica em casa descansando. ” “OK, amor. ”

Ele estava desesperado para que eu não fosse.

Era exatamente por isso que eu iria. Sexta-feira, 19h. Vesti o vestido azul do Dia dos Namorados, penteado, maquiagem. E o conjunto inteiro de safiras: colar no peito, brincos balançando, anel reluzindo.

Pronta pra guerra. No salão, encontrei o Roberto conversando bem pertinho da Laila. Ela usava os meus brincos de safira, parcelados em 10 vezes. “Oi, amor!

” Dei uma voz bem alta do lado dele. Ele quase derrubou a bebida: “A-Alice, o que você tá fazendo aqui? ” “Vim prestigiar o meu marido. A pintura tá ficando linda, logo você pode voltar.

” A Laila estava grudada nas minhas joias, sem entender. “Oi, Laila. Que coincidência, né? Eu ganhei esse conjunto inteirinho do Roberto no Dia dos Namorados.

Ele é um amor, um romântico. ”

O olhar da Laila virou veneno puro. O Roberto engoliu em seco, mudo, suando frio, sem conseguir abrir a boca. “Com licença, vou ver a apresentação.

” Fugiu. A Laila foi atrás, direto pro bar, virando champanhe como se não houvesse amanhã. Foi quando a Talita entrou pela porta principal. Maquiagem artística: uma mistura de Angelina Jolie com uma barriga de grávida enorme.

Ela passou no bar, pegou uma taça de champanhe. Eu mandei mensagem: “Que barriga é essa, Talita? ” Ela respondeu: “Liberdade criativa. Mulher grávida choca mais.

Confia. ” Tá bom, mas larga essa taça, tá todo mundo olhando. Ela trocou por suco de laranja. O Roberto subiu no palco.

Ajeitou o microfone. “Boa noite, pra quem não me conhece, eu sou o Roberto Leal, novo gerente de contas do setor financeiro e membro do Conselho de Ética…”

“MEMBRO DO CONSELHO DE ÉTICA! ” O grito cortou o salão. A Talita apontou o dedo: “Roberto Leal, seu canalha!

Você me engravidou, prometeu se casar comigo e agora não atende mais as minhas ligações! ”

O salão virou um mar de celulares gravando. Roberto riu, nervoso. Esperou alguém rir junto.

Mas ninguém riu. O sangue sumiu do rosto dele. “Moça, você está confundindo as pessoas. Eu nunca te vi na vida!

” A Talita abriu a bolsa, ergueu o celular: “E as nossas fotos na Praia Grande? Até escolhemos o nome da nossa filha: Alice. ” Prendi a respiração para não rir. Ela tinha batizado a filha da amante com o meu nome.

Arregalei os olhos, levei as mãos à boca, fingindo o horror absoluto da esposa traída descobrindo que o marido ia pôr o meu nome na filha da amante. A Laila atravessou o salão, tropeçando, empurrou um garçom, subiu no palco aos tropeços e avançou no pescoço do Roberto: “Seu filho da mãe! Você cancelou uma viagem que eu paguei pra ir pra Praia Grande com essa vagabunda?! ” O microfone estava ligado.

Todo mundo ouviu o berro ecoar pelas caixas de som. “Laila, para, pelo amor de Deus! ” Ela deu um empurrão. Ele caiu de costas no chão.

Ela desceu a bolsa na cabeça dele. “Você me usou! Me seduziu só pra conseguir a promoção! ”

No chão, levando bolsada, ele gritou: “Isso é mentira!

Eu tava em casa! Eu tava com piriri! Pergunta pra Alice! ” O CEO assistia com nojo.

Os colegas comentavam alto: “Mereceu a gerência, olha o esforço. ” “Ali não é cargo, é adicional de insalubridade. ”

A Talita guardou o celular: “Vou mandar meu advogado atrás de você, Roberto desleal! ” E saiu rebolando pela porta, evaporando na noite.

Os seguranças subiram. Agarram a Laila, que chorava e se debatia com a maquiagem borrada. Levantei devagar, a esposa traída, e fiz minha última cena: cabeça baixa, mãos no rosto, ombros tremendo. Saí chorando por fora.

Por dentro, gargalhando e soltando fogos. Em casa, o telefone explodia. 27 chamadas perdidas. Atendi uma: “Alice, o portão não abre!

Meu acesso está bloqueado! ” “Roberto, você pode não ter tido caso com a grávida, mas com a Laila tinha. Você ia viajar com ela e mentiu. Desço as tuas malas.

Nunca mais volta. ”

Ele mudou de tom: “Você não pode me expulsar! Eu conheço meus direitos! ” “Eu não te expulsei.

Você saiu de casa de livre e espontânea vontade, com mala e tudo, pra casa da tua mãe. Lembra? Você abandonou o lar. Vai procurar os teus direitos à vontade.

” Desliguei. Tomei um banho demorado. Vestido confortável. Desci os quarenta minutos depois.

Ele estava encostado no portão, amassado, derrotado. Arrastei as duas malas e coloquei na calçada. Ele começou a chorar: “Alice, eu te amo! Eu confesso o caso, mas foi só por causa da promoção.

Fiz isso por nós, pra ser o provedor! ” “Você nunca pagou uma conta dentro de casa, Roberto. Provedor é quem cuida, assume, protege. Não é quem pisa nos outros pra se sentir superior.

Agora pega as tuas malas e vai viver do teu sucesso. ”

Entreguei as malas, virei as costas e subi. Dormi feito um anjo. O divórcio saiu seis meses depois.

Ele, desempregado e queimado no mercado, quis exigir metade da minha poupança. Meu advogado rebateu com danos morais e desvio de patrimônio, provando que ele gastava o orçamento da família em joias para a amante enquanto eu pagava tudo. Diante do risco real de sair devendo, ele aceitou o acordo: mão na frente, mão atrás, sem um centavo. O Roberto se queimou de vez.

Convecção de que foi o colega Diogo, que disputava a vaga de gerente, que armou o circo da grávida. Na segunda-feira seguinte à demissão, riscou a lateral inteira do carro do Diogo com uma chave. Só não viu que tinha uma pessoa filmando tudo do carro ao lado. Processo.

R$ 15. 000 de conserto, mais honorários. Qualquer centavo que entra hoje é penhorado. Vive escondido num quartinho na casa da mãe.

A Laila foi demitida junto com ele. Falaram que misturou remédio tarja preta com champanhe. Perdeu um emprego de R$ 20 mil por causa de um tranqueira. Eu?

Estou muito bem. Lancei uma coleção nova de sabonetes realistas chamada Pedras Preciosas, esgotou em três dias. O ateliê prospera. Sobre relacionamentos, ainda é cedo.

Mas de uma coisa tenho certeza: se aparecer um cara de calça justa mostrando a canela e mocassim sem meia, eu dou meia volta e caio fora na hora.