A sala do Tribunal Federal de Zurique estava cheia. O ar cheirava a nervosismo. Bruno Castellanos, fundador da Castellanos Tecnológica, olhava fixamente para a cadeira vazia ao seu lado. O advogado não tinha chegado.

A juíza Renata Solórzano bateu o martelo. — Cinco minutos para apresentar representação legal válida, ou encerro o processo por falta de defesa. Bruno respirou fundo. Se o advogado não aparecesse, tudo o que construíra podia acabar.
Foi nesse instante que a porta lateral se abriu com violência. Uma jovem tropeçou para dentro da sala, um maletim voou-lhe das mãos e os papéis espalharam-se pelo chão como uma tempestade de folhas brancas. A sala inteira ficou em silêncio. A jovem caiu de joelhos, tentando recolher tudo.
— Não, não, por favor, não. Um papel aterrou no sapato do fiscal Héctor Villagrán. Ele levantou-o com dois dedos, nojo fingido no rosto. — Interessante.
Parece o recibo de uma cafeteria. A jovem arrancou-lhe o papel da mão. — É documentação de apoio — disse, sem qualquer convicção. Risos explodiram na galeria.
A juíza tirou os óculos e limpou-os devagar. — E você seria? A jovem pôs-se de pé. — Camila Ferreira, meritíssima.
Passante do departamento jurídico da Castellanos Tecnológica. — E o que faz a irromper assim na minha sala? Camila respirou fundo. Olhou para o fiscal triunfante, para a juíza severa e, finalmente, para Bruno.
— Vim assumir a defesa, meritíssima. A sala estourou em gargalhadas. O fiscal Villagrán inclinou-se para a frente, a rir abertamente. — Ouviram isto?
A passante vai assumir um caso de 600 milhões. — Sou passante de terceiro ano, não uma principiante qualquer — corrigiu Camila, empurrando os óculos com um gesto que já parecia menos nervoso. Sentou-se ao lado de Bruno. — Sossegue, senhor Castellanos.
O Dr. Duarte pediu-me para vir. Bruno olhou para ela, surpreendido. — Ele enviou-te?
Camila já se tinha levantado outra vez, com uma postura completamente diferente. — Meritíssima, entendo que a minha chegada não foi tradicional. E entendo que o fiscal a ache engraçada. Mas enquanto ele se ria, eu revisei cada página da acusação.
Estou pronta para proceder com esta defesa. O fiscal deixou de sorrir. A juíza inclinou a cabeça, interessada. — Tem consciência, menina Ferreira, de que se a autorizar e falhar, as consequências serão desastrosas para o seu cliente?
— Tenho toda a consciência, meritíssima. — E mesmo assim está disposta a assumir a responsabilidade? — Sim. Silêncio total.
A juíza bateu o martelo. — A defesa está autorizada a continuar. O fiscal Villagrán empalideceu. Bruno olhou para Camila com incredulidade.
A jovem que tinha entrado a tropeçar era agora uma pessoa completamente diferente. O fiscal avançou para o centro da sala. — Menina Ferreira, é verdade que está há apenas algumas semanas no cargo? — Seis semanas, para ser precisa.
— E antes disso, algum escritório de bairro? Casos de animais perdidos, talvez? Camila manteve o olhar firme. — Trabalhei na clínica jurídica da minha universidade.
— Interessante — disse Villagrán, dando um passo em frente. — E aí aprendeu a andar sem tropeçar? Pergunto isto porque, pela sua entrada, receio que nem isso consiga fazer. As risas estouraram.
Camila sentiu as mãos tremerem. Olhou para Bruno. Ele não se ria. Parecia confiante.
Respirou fundo. — Fiscal Villagrán, agradeço a sua preocupação com a minha coordenação motora. Mas posso assegurar-lhe que sei fazer café, ligar fotocopiadoras e até atar os sapatos. Especialmente quando não estou sob fogo cruzado num tribunal.
A sala soltou uma risada diferente. De surpresa. — E já que estamos a esclarecer coisas para as atas oficiais — continuou Camila —, talvez o senhor devesse informar-nos quanto tempo ensaiou aquele discurso intimidatório ao espelho. Digo-lhe isto porque lhe saiu muito teatral.
A sala explodiu em gargalhadas. O fiscal abriu a boca, aturdido. — Objeção! — gritou.
— Se tem objeções formais, apresente-as. Se não, sente-se — respondeu a juíza. Villagrán calou-se e desabou na cadeira. — Menina Ferreira, pode apresentar a sua exposição inicial?
Camila caminhou para o centro da sala. Abriu a pasta e o coração deu um salto. Os documentos estavam todos trocados. O discurso que preparara não estava lá.
Fechou a pasta. — Meritíssima, membros do júri, não vou fingir que sou a advogada que esperavam ver hoje. Não tenho décadas de experiência nem um escritório com vista para o lago. Algumas pessoas levantaram o olhar.
— O que tenho são factos. Neste julgamento, vou demonstrar que o meu cliente, Bruno Castellanos, não é o criminoso que a acusação quer mostrar. Vou demonstrar que as acusações vêm de informação incompleta, manipulada e, em alguns casos, fabricada. Quando terminou, voltou para o seu lugar.
As pernas tremiam-lhe, mas o rosto mantinha-se firme. Bruno inclinou-se para ela. — Donde é que saiu aquele discurso? — Improvisei.
Bruno sorriu pela primeira vez em toda a manhã. — Começo a perguntar-me porque pagava tanto aos meus advogados anteriores. A juíza anunciou um intervalo de quinze minutos. Camila tentou reorganizar os papéis.
O telefone vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido. «Desiste. »
Franziu o sobrolho.
Apagou. Outra vibração. «Não sabes no que te meteste. »
Um arrepio percorreu-lhe a espinha.
Uma terceira vibração. «Última oportunidade. »
Acompanhada de uma fotografia. Camila sentiu o estômago encolher.
Era a sala de estar da casa da mãe em Berna. O sofá verde, a mesa de centro com as fotografias de família, a chávena de chá a meio. E, atrás da janela, uma silhueta. Largou o telefone.
Tentou apanhá-lo e derrubou o maletim outra vez. Os papéis voaram. — Menina Ferreira? — Bruno estava ao lado dela, ajoelhando-se para a ajudar.
— O que se passa? Está pálida. — Nada. A gravidade está particularmente agressiva hoje.
Ele olhou para ela, preocupado. — Se alguém a está a ameaçar, preciso de saber. Camila negou com a cabeça. Mas as mãos continuavam a tremer.
O telefone vibrou uma quarta vez. «Que costume bonito de tomar café às 10:47. Muito pontual. »
A sua mãe.
Camila sentiu o mundo encolher-se. Já não era um aviso. Era perseguição. Quando o intervalo terminou, voltou para a sala com o pulso acelerado.
Mas determinado. O fiscal Villagrán levantou-se, satisfeito. — A acusação chama a sua primeira testemunha, Mauricio Elizondo. Diretor financeiro da Castellanos Tecnológica.
Elizondo entrou com o porte de quem estava habituado ao poder. Sentou-se com a segurança de quem ensaiara as respostas durante dias. — Senhor Elizondo — começou Villagrán —, pode dizer-nos se presenciou o senhor Castellanos a ordenar alterações nos relatórios financeiros? — Sim.
Ouvi-o instruir diretamente vários funcionários para modificar valores chave. A sala exalou um suspiro coletivo. — Tem documentos que apoiem essas afirmações? — Sim.
Foram apresentados como prova. Camila reviu os documentos. Estavam lá, relatórios com anotações supostamente feitas por Bruno. — Nunca vi essas folhas — sussurrou Bruno.
Ela assentiu. Algo não batia certo. Lembrou-se da noite anterior no escritório. Encontrou uma lancheira infantil atrás da máquina de café, com desenhos de dinossauros.
Dentro, em vez de comida esquecida, um pequeno dispositivo de armazenamento com uma etiqueta minúscula que dizia «Verdade? ». Enquanto ouvia Elizondo a declarar, Camila meteu a mão na mala e sentiu o dispositivo frio entre os dedos. — Tem perguntas para a testemunha, menina Ferreira?
— perguntou a juíza. Camila levantou-se. — Sim, meritíssima. Mas antes, peço para apresentar uma nova prova.
O fiscal levantou-se de imediato. — Objeção. Essa prova não foi registada previamente. — Foi encontrada ontem à noite dentro das instalações da empresa — respondeu Camila sem hesitar.
— Peço ao tribunal que considere a sua relevância antes de a descartar. A juíza observou-a. — Que tipo de prova? Camila segurou o dispositivo no ar.
— Um armazenamento digital escondido dentro de uma lancheira. Um murmúrio percorreu a sala. — Onde exatamente foi encontrado? — Atrás da máquina de café, meritíssima.
Numa lancheira infantil com um dinossauro muito expressivo, diga-se de passagem. O fiscal perdeu a paciência. — Pretende que levemos isto a sério? Camila olhou-o com calma.
— Fiscal, ninguém esconderia uma prova valiosa num porta-documentos elegante. Escondê-la-iam em algo que ninguém revisitaria. Como uma lancheira infantil esquecida. A juíza respirou fundo.
— A prova é aceite a título provisório. Oficial, conecte-a ao sistema. As pantalhas do tribunal acenderam-se. Apareceram pastas de dados, movimentos bancários, registos de acessos internos, modificações registadas em datas específicas.
E ali estavam as discrepâncias. As supostas alterações assinadas por Bruno tinham sido feitas três meses depois da data que Elizondo tinha declarado. E não a partir de um computador da Castellanos Tecnológica, mas de um endereço de rede pertencente à Prado Holdings. A sala estourou em exclamações.
O fiscal empalideceu. Elizondo engoliu em seco. — Senhor Elizondo — disse Camila, aproximando-se do estrado —, como explica que as alterações tenham ocorrido meses depois do que declarou? — Deve haver um erro.
— E como explica que essas modificações tenham vindo de um computador registado em nome da Prado Holdings? Elizondo olhou para o público, onde estava sentado Ignacio Bravo, a observar sem pestanejar. Camila continuou. — Pode, sob juramento, sustentar a sua declaração anterior?
Elizondo abriu a boca, mas não saiu som. — Senhor Elizondo, lembre-se que o perjúrio é crime federal — disse a juíza. — Invoco o direito de não declarar. Um estalido de vozes percorreu a sala.
O fiscal escondeu o rosto entre as mãos. A juíza bateu o martelo. — A testemunha está dispensada. Quando Elizondo desceu do estrado, evitou olhar para Ignacio Bravo.
— Onde encontraste esse dispositivo? — murmurou Bruno. — No escritório. Creio que o Dr.
Duarte o deixou para que alguém o encontrasse. A porta abriu-se de repente. Um homem entrou a correr, suado, com um monte de papéis debaixo do braço. — Esperem!
Encontrei mais coisas! Era Felipe Andrade, analista financeiro. Avançou e tropeçou no tapete. Os papéis voaram como folhas ao vento.
Um aterrou no colo de um jurado, outro no escritório do fiscal, outro na mesa da juíza. Silêncio absoluto. A juíza pegou no papel. — Quem é o senhor?
— Felipe Andrade, meritíssima. Equipa financeira da Castellanos Tecnológica. Desculpe pelo transtorno. — Explique-se.
Felipe levantou uma folha amarrotada. — Encontrei transferências bancárias. Muitas. 47 milhões movidos para contas no estrangeiro.
Todas provenientes da Prado Holdings. A sala explodiu em murmúrios. — Além disso — continuou Felipe, com mais segurança —, cada transferência coincide com dias em que o senhor Castellanos estava fora do país. E os acessos à sua agenda executiva só os tinham quatro pessoas.
Entre elas, Mauricio Elizondo. A juíza bateu o martelo. — O tribunal vai fazer um intervalo extraordinário para rever esta nova prova. Felipe baixou o olhar, envergonhado.
— Fiz bem? Camila sorriu, exausta mas grata. — Fizeste perfeito. No intervalo, três homens de fato escuro interceptaram Bruno no corredor.
Eram membros do conselho de administração. — Bruno, temos de falar agora. — Estou no meio de um julgamento. — Sabes o que dizem os investidores?
Que confiaste a defesa de 600 milhões a uma passante que nem sequer consegue segurar um maletim. — Essa passante — respondeu Bruno, com voz cortante — acabou de expor uma testemunha que mentiu sob juramento e encontrou provas que a acusação nem sequer soube procurar. Fez algum dos vossos advogados de fato caro isso nos últimos três anos? — O conselho quer que contrates um escritório externo.
— O conselho pode querer o que quiser. Eu decido quem me defende. E já decidi. Camila olhou para ele, surpreendida.
Os homens retiraram-se. — Não tinha de fazer isso — disse ela. — Tinha. Porque ninguém nesta cidade parece perceber que o talento não depende dos anos que alguém passa a usar um título.
Durante o intervalo, Bruno e Camila caminharam para o pátio exterior. O céu cinzento ameaçava neve. — Isto é maior do que pensávamos — disse Bruno. — Muito maior.
Elizondo não agia sozinho. Alguém o protegia. Alguém com poder suficiente para fabricar provas e comprar silêncio. Camila olhou para o outro lado da rua e viu um veículo escuro estacionado.
O mesmo que já vira antes. O motor arrancou. O veículo acelerou diretamente na direção deles. Bruno agiu primeiro.
Agarrou-a pela cintura e empurrou-a para o lado, atirando-se com ela para o jardim. O veículo passou a centímetros deles e desapareceu na esquina. Camila ficou deitada de costas, a respirar ofegante. — Magoaste-te?
— Estou bem. E tu? — Estou bem — respondeu ele. Tinha um arranhão na face.
Ficaram ali, deitados, a olhar para o céu cinzento. — Isto já não é um julgamento — disse ela em voz baixa. — Isto é qualquer coisa muito maior. — A minha mãe.
Ameaçaram-na. Mostrou-lhe a fotografia no telefone. Bruno olhou para ela. Uma mistura de raiva e preocupação.
— Isto é uma ameaça direta a ti e à tua família. Vou enviar a minha equipa de segurança. Não vais ficar desprotegida nem mais um minuto. Bruno fez uma chamada rápida.
Quando terminou, respirou fundo. — A minha equipa já se está a coordenar com a segurança do cantão. Ninguém se vai aproximar da tua família. Camila sentiu um nó na garganta.
— Obrigada. — Não me agradeças. Promete-me apenas que me vais dizer tudo. Mesmo o que te der medo de dizer.
Ela assentiu. — Prometo. Antes de regressar à sala, Camila encontrou Ignacio Bravo no corredor. — Menina Ferreira, que coincidência encontrá-la aqui sem o seu cliente.
Camila sentiu o pulso acelerar, mas não recuou. — Senhor Bravo, não creio que devamos falar sem a presença do tribunal. — Só será um momento. É uma jovem inteligente.
Por isso me surpreende que desperdice esse talento numa causa que já está perdida. — A causa parece estar a correr bastante bem, na verdade. Ignacio sorriu, sem humor. — Por agora.
Mas o dinheiro real, menina Ferreira, encontra sempre maneira de ganhar. E pergunto-me se alguém da sua origem, com uma mãe a viver numa casa modesta em Berna, quer realmente tornar-se no obstáculo entre esse dinheiro e o seu destino. — Está a ameaçar a minha mãe outra vez, senhor Bravo? Porque posso assegurar-lhe que esta conversa ficará registada na minha memória com toda a clareza para quando declarar perante a acusação.
O rosto de Ignacio tensionou-se. — Não ameacei ninguém. Só faço uma observação prática. Pessoas como você não costumam ter os recursos para sustentar uma guerra contra pessoas como eu.
— Pessoas como eu são exatamente as que revisam cada detalhe que pessoas como você assumem que ninguém vai notar. Um relógio mal sincronizado, por exemplo. Ignacio endureceu o rosto. — Tenha cuidado com o que pensa que ganhou, menina Ferreira.
Isto está apenas a começar. Virou-se e desapareceu pelo corredor. Dias depois, o tribunal estava novamente cheio. A história do ataque tinha-se espalhado pelos meios de comunicação.
A investigação tinha avançado rapidamente. Mauricio Elizondo, enfrentando acusações criminais severas, aceitou colaborar com a acusação. — Quero que fique claro — disse Elizondo do estrado, com a voz apagada —, eu não fabriquei aquela prova. Foi Ignacio Bravo.
Contactou-me há mais de dois anos. Ofereceu-me dinheiro, depois proteção, e depois ameaças. — Pode explicar ao tribunal qual era o plano completo? — perguntou o fiscal, agora a colaborar abertamente com a defesa.
— Desacreditar Bruno Castellanos com acusações fabricadas, fazer cair o valor das ações e comprar a empresa a preço de saldo através de terceiros. O senhor Bravo faz isto há anos com empresas mais pequenas. A Castellanos Tecnológica era simplesmente a maior que ele tinha tentado. A porta do fundo abriu-se e um homem mais velho, com o rosto demacrado e uma venda no braço, entrou apoiado a uma bengala.
— Meritíssima, desculpe o atraso. O meu nome é Tomás Duarte. Sou o advogado titular da defesa. A sala inteira virou-se para ele.
— Licenciado Duarte! — exclamou Camila, levantando-se. — Menina Ferreira, vejo que fez um trabalho extraordinário na minha ausência. — Pode explicar a sua ausência no dia do julgamento?
— perguntou a juíza. — Dois dias antes do julgamento, fui interceptado e ameaçado por homens que trabalhavam para o senhor Bravo. Avisaram-me que, se comparecesse para defender o senhor Castellanos, a minha família sofreria as consequências. Mantiveram-me retido até há poucas horas, quando a polícia, seguindo pistas da investigação contra a Prado Holdings, me localizou.
— Porque deixou o dispositivo com a prova escondido no escritório? — Porque sabia que não poderia comparecer — respondeu Duarte. — E confiava que alguém, mais cedo ou mais tarde, o encontraria e saberia o que fazer com ele. Não imaginei que seria uma passante de terceiro ano a acabar por levar todo o peso deste caso.
Mas alegra-me profundamente ter-me enganado a subestimá-la. Camila sentiu os olhos a marejarem. No final da tarde, a juíza emitiu a sua decisão. Bruno Castellanos era inocente de todas as acusações.
A sala estourou em aplausos. Bruno abraçou Camila. — Disse-te. Conseguiste.
— Conseguimos juntos. Meses depois, Camila já não era passante. Bruno, depois da resolução do caso, tinha insistido em contratá-la como conselheira jurídica principal da Castellanos Tecnológica. Ela aceitou, mas fez-lhe prometer que nunca mais subestimaria ninguém pela idade, pela experiência ou pela forma como entrava numa sala.
Numa tarde tranquila, enquanto reviam uns documentos no escritório principal, Bruno olhou para ela. — Sabes o que é mais curioso em tudo isto? — O quê? — No dia em que estive mais nervoso na minha vida, entraste tu, a tropeçar por aquela porta.
E acabaste por ser a melhor coisa que me podia ter acontecido. Camila sorriu. — Ainda tropeço, para que saibas. — Sei.
Mas agora há sempre alguém aqui para te amparar. Ela sentiu, com absoluta clareza, que aquilo era apenas o começo.


